10 de mai. de 2011

Porque beijar sempre valerá à pena


Quem imaginaria que o SBT tomaria a frente das duas grandes emissoras de telenovelas do país e traria o primeiro beijo gay da teledramaturgia brasileira. O beijo deve acontecer na trama das 22h15, “Amor e Revolução”, escrita por Tiago Santiago com a colaboração de Renata Dias Gomes e Miguel Paiva, sob direção geral de Reynaldo Boury.
Ambientada no Rio de Janeiro e em São Paulo, a história tem início com a Revolução de 1964 e perpassa pelo período mais obscuro da ditadura militar, os chamados anos de chumbo. O intuito da trama é narrar a vida de personagens diretamente ligados ao tema da ditadura, seja a favor ou contra, como militares, guerrilheiros, torturadores, artistas, jornalistas, advogados e estudantes nos anos brutais da repressão.
A telenovela já conquistou inclusive professores de história, o da minha irmã, afirmou não gostar de telenovela, mas, aconselhou os alunos assistirem, pois a trama de Tiago traria fatos e personagens “reais”. Apesar de todo o realismo histórico, não há telenovela sem um romântico casal e seus arquiinimigos, sendo assim vamos nos ambientar neste quesito sentimental.
Amor e Revolução, conta a história de amor vivida pelo militar José Guerra - Claudio Lins - e pela guerrilheira Maria Paixão - Graziela Schmitt. À primeira vista, o amor entre os dois é impossível, pois Maria é líder do movimento estudantil e vai para a luta armada, e José Guerra é um militar da Inteligência, contra a ditadura, democrata, porém filho de um general da linha-dura. Os dois têm rivais: o jovem dramaturgo de esquerda Mario Vieira - Gustavo Haddad - e a bela e glamurosa atriz Miriam - Thais Pacholek -, e surpresas podem acontecer.
Bom, creio que essas seis linhas já são suficientes para fervilhar as nossas cabeças teledramáticas. Voltando ao foco do post que é o beijo gay que vai ao ar amanhã (11), entre a advogada Marcela - Luciana Vendramini – que toma a iniciativa de beijar a amiga Marina - Giselle Tigre -, pois se diz apaixonada por ela. Todavia, o próprio autor já mandou todo mundo quietar o facho, pois disso não passará.
O primeiro passo...
Odeio intertítulo em post, mas, vi a necessidade de abrir uma exceção. Sejamos sinceros, ter beijo gay no SBT, hoje a terceira emissora do país, numa trama que se passa quase no início da madrugada, conta? A princípio logo pensei.. isso é para levantar audiência. Contudo, precisamos lembrar coisas bem práticas. O SBT nunca teve uma fidelização com seus telespectadores, uma prova deste fato são seus programas que mudam de horário, novelas que mudam suas protagonistas, quando não acabam no meio. Sendo assim, o que traria de negativo/positivo à emissora?
E outra coisa, beijo gay entre mulher pode suscitar aquele velho fetiche masculino de ver uma relação sexual entre duas mulheres. Tirarei o meu chapéu que sequer uso, a qualquer emissora que tiver coragem de colocar dois homens, e sinceramente, espero que ao fim do beijo e/ou sexo não fiquemos com aquela sessão de que foi tudo para cumprir uma obrigação de representar uma “classe” que a muito compõem a nossa sociedade.
E tenho dito!

27 de mar. de 2011

Mordendo e Assoprando com Walcyr Carrasco


Tecnologia, humor leve, caras carimbadas e uma história bem costurada é o que promete a nova trama das 19h da Rede Globo, Morde e Assopra de Walcyr Carrasco. A novela tem o dever de manter a audiência conquistada pelo excelente remake de Ti Ti Ti, produzido pela Maria Adelaide Amaral, que chegou ao fim com grande aprovação da crítica e do público, uma prova disso foi a grande audiência alcançada no decorrer desses 8 meses.

O casal principal de Morde e Assopra traz o já famoso protagonista das 19h, Marcos Pasquim, como o grosseirão Abner e Adriana Esteves como a moçinha Júlia, mulher arredia, dona de si e que não leva desaforo para casa. Após as primeiras cenas, a minha mãe – minha eterna referência – logo falou: - Até parece às mesmas brigas de Catarina e Petruchio de “O Cravo e a Rosa”. Sim, aquela deliciosa novela das 18h que se passava na déc. de 20, escrita pelo próprio Walcyr Carrasco. A história tinha Adriana e Eduardo Moscovis como o casal principal que vivia em constante pé de guerra. Como já disseram nada se cria, tudo se transforma.

No quesito semelhanças, fazendo moçinhas ou vilãs/papéis principais ou secundários a Adriana Esteves sempre traz consigo gestos típicos. Já o fazendeiro, Abner, interpretado pelo Pasquim, que fisicamente pouco se diferencia do papel Moscovis, tem o sotaque igualzinho, talvez com “erres” mais puxados e fala mais atual, mas de resto está naquele esquema de recordar é viver. Entretanto, quem teria coragem de culpar Walcyr Carrasco por isso?

Morde e Assopra conta a história de Júlia que após anos no Japão volta ao Brasil para fazer a grande escavação de sua vida. Contudo, para que isso ocorra, ela precisa convencer Abner, o dono do cafezal que ela pretende derrubar para descobrir um tiranossauro. Após inúmeras brigas eles se descobriram apaixonados e o resto, bom, todos nós já sabemos.

A nova história a ser contada por Walcyr vai unir o melodrama comum que já conhecemos, com o futurismo dos robôs japoneses e a tão sonhada inteligência artificial. Isso ficará sob a responsabilidade do Mateus Solano e da Flávia Alessandra. Ele vive o cientista Ícaro que ao perder sua mulher sonha em recriá-la mesmo que de forma mecânica; ela está responsável por dá vida o andróide Naomi, que descobrirá o amor, sem saber exatamente o que é esse sentimento.

Podemos dizer que a tecnologia vai ser o diferencial, entretanto, será a velha e boa história água com açúcar, o tempero deste novo melodrama carrasquiano. É esperar para ver!!

21 de fev. de 2011

Recordar sempre é viver!


Semana passada, vi alguém comentando no twitter a guerra de comida no café da amanhã entre o casal Jacques Leclair e Clotilde – Alexandre Borges e Juliana Alves - de Ti Ti Ti. A indagação era se a cena tinha a intenção de homenagear a mais conhecida batalha de comidas que aconteceu entre a Fernanda Montenegro e o Paulo Autran em Guerra dos Sexos. (cena clássica da televisão brasileira)

Lendo o tweet me lembrei da célebre citação do Antoine-Laurent de Lavoisier: "Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”/copia. Sim, copiar nem sempre é sinônimo de algo negativo, ainda mais num produto como a telenovela que existe há a quase 60 anos e que opera a partir do reconhecimento do telespectador.

A certeza que o copiar ou até mesmo o refazer vem dando certo, são os inúmeros remakes que a Globo, principal produtora de teleficção nacional, vem fazendo nos últimos 15 anos. Suas tramas das 18h só têm emplacado com histórias revisitadas e a única a fugir desse carma foi a recente Escrito nas Estrelas da Elisabeth Jhin. O restante não conseguiu manter a audiência e algumas foram até encurtadas.

A atual prova viva de que novelas antigas fazem o maior sucesso, é o remake de Ti Ti Ti, no horário das 19h, uma adaptação da Maria Adelaide Amaral de duas telenovelas do Cassiano Gabus Mendes, a Plumas e Paetês de 1980/81 e Ti Ti Ti de 1985/86.

A trama que mescla o romântico triângulo amoroso entre Marcela, Renato e Edgar a desmedida guerra entre Ariclenes Martins e André Spina, inimigos desde a infância que passam a competir no mundo da moda. O Ariclenes travestido de Victor Valentim, um espanhol pra lá de paraguaio que produz através dos desenhos de uma paciente com problemas mentais e André que adota a marca Jacques Leclair, um nome com o toque francês, que só convence as suas clientes tidas como “suburbanas”.

A união das tramas que tem como pano de fundo o mundo da moda caiu como uma luva em um horário que vinha tendo problemas com a fracassa “Tempos Modernos”. O meu destaque mais que especial vai para a Cláudia Raia no papel da Jaqueline Maldonado. Tem muito tempo que não via a Cláudia fazer um personagem cômico e tão sentimental ao mesmo tempo. Não se pode negar que ela nasceu para a comédia. E a cena em que ela aparece dançando Ilare Lariê numa festa dos anos 80, acompanhada do Jacques logo nos primeiros capítulos está impagável. O trio Murilo Benício, Alexandre Borges e Cláudia Raia merece no mínimo 50% dos méritos do sucesso deste remake.

A parcela romântica e que nos faz suspirar ficou sob a responsabilidade do belo casal Marcela Andrade e Edgar Sampaio – Ísis Valverde e Caio Castro – que aos trancos e barrancos se apaixonaram, passaram a viver uma relação quase que clandestina e quando todos acreditavam que o casal seria feliz para sempre, eis que surge o também galã Renato Vila – Guilherme Winter – e retoma as atenções da moça.

A trama chegará ao fim em março e levará com ela os louros de alcançar o sucesso de público e crítica, tendo a certeza que sempre será uma das mais pedidas no Vale a Pena Ver de Novo.


15 de fev. de 2011

A primeira vez a gente nunca esquece


Hoje eu tive a tão temida primeira reunião com a minha orientadora. Bom, o que dizer!! Estou em pânico!! Sei que sempre estudei telenovela e gosto muito dessa área o que me ajuda imensamente, mas, ainda assim estou enveredando por uma linha de pesquisa que me é desconhecida e o novo sempre me assustou, preciso aprender a lidar com o novo.

Enfim, os laços e idéias foram se estreitando e já tenho até idéia de por onde começar e do meu primeiro capítulo. (um salve para o meu primeiro capítulo que só está na minha cabeça, iup!) Ele será um retrospectiva sobre os grandes vilões das telenovelas brasileiras, então, com certeza veremos Leôncio - Rubens de Falco - da Escrava Isaura de 1977; Odete Roitman – Beatriz Segall – de Vale Tudo em 1988/89 e os mais recentes em nossa memória como Laura – Claúdia Abreu – de Celebridade em 2003/04; Olavo – Wagner Moura – de Paraíso Tropical em 2007 e a Flora – Patricia Pillar – de A Favorita em 2008/09.

Bom, após definir por onde devo começar, quem devo ler e a minha já futura banca, só me resta cair literalmente de cabeça nas minhas leituras. Apesar do nervosismo inicial, tenho certeza que tudo me dará um enorme prazer, por que gosto de telenovela, gosto de ser convencida pelos personagens e por seus atos justos ou injustos.

23 de dez. de 2010

Agora não tem mais jeito, ele vai sair!!



Amigos, conhecidos e desconhecidos.. quando eu criei este blog tinha a intenção de atualizá-lo pelo menos uma vez por semana. Entretanto, tudo muda, os planos se reorganizam e comigo não poderia ser diferente. Por conta da faculdade, trabalho, inglês e vida social o tadinho do blog ficou abandonado, deixado as traças no bom populês.

O intuito do blog foi e ainda é fazer críticas e comentários sobre teleficção, isso em nada vai mudar. Só que agora vou começar o processo de produção do meu tcc e resolvi compartilhar com todos vocês o meu estresse, minhas angústias, descobertas e por que não conquistas.

Para que todos fiquem cientes de qual é o meu projeto e em que pé ele anda, vou postar um resuminho de tudo o que tenho lido, escrito e assistido. Pois telenovela é como futebol, todo mundo tem um pitaco a dar, ideias e soluções. Espero que vocês possam me ajudar/aconselhar e principalmente criticar, no decorrer de todo o percurso. Vamos a uma básica retrospectiva.

Há 1 ano e meio atrás, ainda no meu 6º semestre e a procura de bibliografia para o meu anteprojeto, descobri a tese de mestrado de Milton Souza, que trabalha o uso social dos vilões. Logo vi naquele tema algo interessante e fiz de tudo para encontrar a bendita tese e de nada adiantou, não achava nada de Milton, sequer o lattes. Em dezembro de 2009, ou seja, há 1 ano atrás, encontrei o endereço de um congresso do Sesc-SP no qual ele foi mediador e prontamente entrei em contato com o Sesc, o email era um tanto desesperador. E para a minha feliz surpresa, o próprio Milton me respondeu a poucos dias do réveillon, e super solícito me pediu que explicasse o meu projeto e afirmou que em janeiro me encaminharia a sua tese. Fazendo-me prometer que após pronto eu deveria enviar para ele o meu tcc. (fofo)

Só que muita água passou por debaixo da minha ponte e acabei adiando em 1 ano o meu projeto e com o atraso quase tudo mudou: orientadora, tema, telenovela analisada, o foco mudou de gênero para a reconstrução dos vilões (influência da tese de Milton). Hoje, o meu projeto pretende analisar a reconstrução dos vilões através da comicidade e o meu objeto de análise deixou de ser A Favorita de João Emanuel Carneiro e passou a ser Escrito nas Estrelas da Elizabeth Jhin, que trouxe para o grande público o Alexandre Nero como o grande vilão Gilmar e a Zezé Polessa e a Débora Falabella como as cômicas Sofia Loren e Beatriz Cristina.

Posso afirmar sem titubear que das mulheres Débora foi para mim uma grata revelação, até porque quem há assistia no Vale a Pena Ver de Novo (Sinhá Moça), via uma atriz que sempre foi vinculada às telenovelas de época, só que a moçinha deu lugar a uma vilã um tanto burra, destrambelhada e pra lá de cômica. A Zezé já é bem conhecida por seus personagens cômicos e nos proporcionou mais uma brilhante atuação.

Enfim, a idéia é essa e espero que possam me acompanhar nessa empreitada. E desde já quero deixar os meus sinceros agradecimentos ao Milton Souza pela gentileza, educação e disponibilidade, é tão difícil encontrar pessoas humildes na área da comunicação. Sou muito feliz pelo “encontro”. Valeu!!