23 de ago. de 2010

Malhação, a debutante global




Hoje começa mais uma temporada da novela mais longa da TV brasileira, Malhação já tem 15 anos no ar. A atração global que iniciou em 1995, na época trazia atores já conhecidos com Silvia Pfeifer, Nair Bello, John Helbert, Nuno Leal Maia e também apresentou ao grande público novos atores, que nos subseqüentes anos passaram a compor as mais diferenciadas tramas globais e as mais variadas capas de revistas teens.

Malhação foi e é uma trama formulada para o público jovem, mas que sempre acaba por ultrapassar o nicho juvenil e atingindo em cheio os pais e mães que muitas vezes se apóiam nas discussões da novela para dar aqueles toques de forma singela, - minha mãe era uma dessas – era a 1ª vez, DSTs, gravidez na adolescência, vandalismo juvenil, agressão a mulher e outros infinitos assuntos já foram abordados na trama teen.

Após quatro anos, em 1999, Malhação ganha um ar ainda mais jovem quando muda sua temática de academia para uma escola, nascia o Múltipla Escolha. Começa para muitos adolescentes anos memoráveis de histórias que nos fizeram chorar, sorrir e querer estudar lá. A novela teen continuou com o seu papel de revelar novas caras para o público e muitos dos atores que hoje estão nos mais variados folhetins – Globo, Record e Sbt – saíram ou tiveram suas carreiras alavancas pela novela. Temos como exemplo: Cauã Reymond, Nathalia Dill, Priscila Fantin, Juliana Didone, Iran Malfitano, Max Fercondini, Caio Castro, Mário Frias, Danton Mello, Luigi Barricelli, Rodrigo Faro, Caio Junqueira , Daniel de Oliveira etc.

Entretanto, apesar de ter encontrado uma excelente forma para entreter de crianças a vovozinhas nos últimos quatro anos algo vem dando errado. Desde 2006, que não consigo lembrar um casal que não tenha sido um grande fracasso de audiência, os casais não emplacam e os vilões vêem se sobressaindo e conquistando muito mais o público que o protagonista bondoso e desprovido de maldade. Para exemplificar essa predileção podemos utilizar o casal de 2009, Marina e Luciano - Bianca Bin e Micael Borges - do meio para o fim da trama o Luciano sumiu, por diversos capítulos da novela e o sumiço siquer teve um real motivo, o personagem estar ou não presente na história praticamente não interferia na trama. E o que aconteceu no final? A moçinha ficou com o vilão Caio – Humberto Carrão – que se regenerou no final. O Luciano até voltou, mas em nada o personagem realmente evoluiu alguém sabe o que o Micael está fazendo no momento, porque o Humberto já está em TiTiTi.

Após sucessivos anos de baixas audiências os produtores de Malhação trazem como o ponto central da história de 2010, a discussão da convivência entre diferentes identidades, seria a Malhação ID. A ideia era ótima, as temáticas de grande relevância, todavia, a coisa não se concretizou. Perdoe-me quem ficou fã dessa galerinha, mas todos, sem exceção de parentescos artísticos, são péssimos, não conseguiram passar emoções nem modificar suas expressões faciais, sinceramente, nada se salva dessa leva, posso está errada, mas.. vamos vê.

Enfim, voltando às temáticas que supostamente seriam discutidas:
1 – um rapaz em dúvida sobre sua sexualidade e que por fim se descobre assexuado. Não me recordo de nenhum personagem que tenha discutido isto, logo, seria bem esclarecedor para jovens que estão para iniciar suas vidas sexuais. Cheguei a acreditar que o Alê – Willian Barbier - teria uma relação homossexual, imagina o avanço na telenovela. Que nada, ele acabou com uma namorada nos moldes mais convencionais. Alguém ai ficou satisfeito? I´m not!!

2 – a adaptação de uma adolescente mulçumana que se apaixona por um afrodescendente. Esse núcleo foi totalmente remanejado, o romance que aconteceria entre Samira e Rafael - Thaís Botelho e Vitor Lucas – acabou nem acontecendo, o personagem se envolveu com Bruno – Caio Castro – meio que por acaso, pois o ator havia sido escalado para viver o seu primeiro protagonista na TV - na releitura feita pela Maria Adelaide Amaral, que uniu a novela de Cassiano Gabus Mendes, TiTiTi 1985/86 e Plumas e Paetês 1980/81 - e precisava de um fim na trama.

3 – é algo um tanto quanto batido, mas sempre nos oferece momentos de reflexão sobre gênero. O casal em questão era Valentina e Lucca – Julia Bernat e Erik Vesch - ela sempre mais ativa e praticante de atividades ditas de meninos, como pilotar moto, pagava contas, ia buscá-lo em casa, defendia dos valentões e etc. Não entendi muito, nem o porquê, só sei que o casal se dissolveu, Valentina passou a se relacionar com Vitor - Eric Pelitz -, o suposto antagonista do casal principal e o Lucca coitado, sumiu. Fico impressionada com o sumiço que os roteiristas dão em alguns personagens, vou chamar o CSI.

Fora isso, a trama não fugiu aos temas que vinham sendo abordados nos últimos anos, e essa junção de personagens que também cantam já está ficando chato. Já não basta os três High Scholl Musical que tivemos que suportar? Sinto muito Fábio Jr., mas nem seu filho se salva, o que foi a cena da 1ª vez de Cristina com Bernardo? O adjetivo da cena é.. foi brochante!!

Essa “temporada” durou nove longos meses e a toda semana me perguntava quando ia acabar. A coisa foi tão feia que nenhum personagem irá permanecer nessa história que inicia nesse 23 de agosto de 2010, segunda-feira.

Após toda essa reclamação, não posso negar que quero ver o que virá agora, e realmente penso que não pode ser pior do que a que acabou, não pode!!

O tema central apresentado pela emissora é a relação entre pessoas de vivem em diferentes regiões da cidade grande, ricos e pobres, apresentar a relação entre privilegiados e garotos que vieram da periferia. E um dos casais de adultos que iram demonstrar essa relação é a atriz Helena Ranaldi que será nova diretora do Primeira Opção e o professor de Matématica e Física, o rapper Mv Bill. Não posso negar, estou louca para vê-lo em Malhação, o cara é muito foda e não acredito que ele se envolveria numa trama com a qual não se identificasse com a história.

Só nos resta agora esperar que os mocinhos não sejam tão burros/chatos, que os antagonistas sejam fodões e nos faça se identificar com eles nem que seja em uma única cena e que não se faça necessário dá sumiço em personagens que não emplacaram e muito menos trazer atores de edições passadas para compor o leque de opções para a protagonista da vez, amava o Urubu – Marco Antônio Gimenez - , mas tenha dó.



Recomendo:



Memória Globo - um ótimo site para relembrar toda a produção global

Blog que trata da assexualidade

O Canal Viva da Rede Globo está reprisando a temporada de 1999, a partir das 14h de segunda a sexta


27 de jul. de 2010

Trama das 18h - espiritualidade na Tv




A novela “Escrito nas Estrelas” da autora Elizabeth Jhin é uma maravilhosa surpresa para o telespectador global, sempre acostumado com novelas de época no horário das 18h. A trama que tem como pano de fundo a espiritualidade, vem desde a sua estreia no dia 12 de abril, conquistando uma parcela significativa do público.

No mês de maio o enredo que conta com histórias leves, engraçadas e reflexivas superou a então, promessa de ótimas audiências na Globo, a novela de Sílvio de Abreu, “Passione”. Que conta com atores consagrados da teledramaturgia brasileira, como Fernanda Montenegro, Tony Ramos, Araci Balabanian, Francisco Cuoco, Irene Ravache, etc.

O tema de vida após a morte, reencarnação e mortos que não conseguem fazer a passagem para o plano espiritual já foram discutidas em várias outras telenovelas. Sendo a mais famosa até o momento, “A Viagem” da autora Ivani Ribeiro. Novela que originalmente foi transmitida pela Rede Tupi em 1975/76 e que posteriormente a Rede Globo produziu um remake em 1994 às 19h. Sendo “A Viagem” a segunda novela que já foi reprisada por 2 vezes no “Vale a pena ver de novo”, a primeira foi “A Gata Comeu” também de Ivani Ribeiro.

Mas, diferentemente de “A Viagem” a novela de Elizabeth Jhin conseguiu unir o conto da gata borralheira, a religião espírita, malandros dignos das letras do grupo Demônios da Garoa, peruas que fazem de tudo pelo dinheiro e que só conseguem nos fazer rir e o vilão que acredita ser um salvador, o Gilmar.
O trio ternura de vilões é toda a graça da trama. Quando poderíamos imaginar a Débora Falabella, conhecida por interpretar moçinhas em novelas de época se sairia tão bem fazendo uma perua fútil e pra lá de burrinha, Zezé Polessa que já é famosa por fazer personagens com uma vertente cômica só reforçar ainda mais a futilidade da dupla – os gritos que ela dá na filha Beatriz Cristina, são de deixar qualquer fonoaudiólogo louco - a cada tentativa de derrubar a moçinha Viviane/Vitória – Nathalia Dill - as duas nos divertem com diálogos no mínimo irreais, nos possibilitam ainda mais risadas quando são incomodadas pela Daniela Fontan, a colega Berenice.

E a maior surpresa ficou por conta do Alexandre Nero, ator que fez o tímido verdureiro Vanderlei em A Favorita (2008) e o peão Terêncio em Paraíso (2009). O personagem Gilmar é o vilão mais amado da telenovela nos últimos tempos. A cada capitulo o personagem se mostra ainda mais pilantra, nas suas relações amorosas com mulheres que se deixam levar pela sua lábia de cafetão da máfia italiana e que se derretem entre os chingamentos e palavras banhadas de sedução. O Gilmar é aquele personagem rico que todo bom ator tem por direito fazer em algum momento da sua carreira, e a nossa sorte é que chegou o momento do Alexandre Nero, podemos chamá-lo de revelação.

Apesar das disputas entre pais e filhos não serem nenhuma novidade, os protagonistas fogem ao convencional a partir do momento que um dos membros “luta” pela sua moçinha mesmo após a morte. A trama é cercada de mistérios, espiritualidade – e aqui não estou me referindo a religião espírita – mensagens e lições de vida que nos fazem refletir. A novela nem bem chegou ao seu fim e já se ouvi falar que a autora sonha em fazer uma trilogia no campo da espiritualidade e “Escrito nas Estrelas” seria o ponta pé inicial. Só nos resta esperar para ver se esse enredo chegará ao seu fim colhendo todos os frutos e glórias conseguidas no decorrer da sua exibição e se isso permitirá a Elizabeth Jhin realizar a sua desejada trilogia de espitirualidade e vida após a morte na telenovela.

Não podemos esquecer:

  • O termo colega da atriz Daniela Fontan, já pode ser ouvido pelas ruas. É mais um termo para entrar no hall dos bordões.
  • O André Gonçalves está excelente no papel do malandro 171 do Jair, fugindo totalmente ao seu personagem em “Caminho das Índias” no qual fazia o Gopal, um indiano honesto e trabalhador. Morro de pena do seu Jovenil – José Rubens Chachá -, “oh Jair, vai arrumar um emprego sai logo da casa do sogro“.
  • E o que dizer do Juca, um cachorro da raça golden retriever de quatro anos de idade que na trama interpreta Pepe, o animal de estimação de Daniel - Jayme Matarazzo. A pergunta é quem não gostaria de levar essa coisa mais que fofa pra casa?
  • A trilha sonora é composta por uma mescla de regravações e cantores consagrados. No campo da novidade devemos ficar atentos ao Zé Renato com o "Pedaço de Papel" e Lorena Chaves com "Nossa História". Vale a pena conferir.
Para assistir trechos da trama basta acessar Rede Globo, caso tenha interesse em assistir na integra Ver Tv Online.

26 de jul. de 2010

Respiro melodramas há 24 anos..


Não sei muito bem quando comecei a construí-los na minha cabeça, só sei que passei a acompanhá-los na TV na época de Carrossel – a 1ª versão mexicana que foi produzida pela Televisa entre 1988 e 1990 – transmitida pelo SBT em 1991 no horário das 20h, emissora esta que também me presenteou com Éramos Seis em 1994.

Entre essas tramas, ocorreu o que posso definir como a minha primeira loucura “melodramática”, quis ser a Carolina Pavaneli da novela global Sonho Meu, a imitava em frente ao espelho e cheguei a fazer a coreografia de abertura. Pronto, estava criada a minha fábrica de sonhos e com a qual não precisava gasta absolutamente nada.

Com 11 anos comecei a acompanhar a telenovela infantil que marcaria toda a minha geração, o SBT nos apresenta Chiquititas – 1997 a 2001 -, trama produzida na Argentina com atores mirins brasileiros, e atire a primeira pedra que nunca sonhou em fazer parte daquela trama de fantasias que assistíamos todas as noites.

Depois vieram as Marias da Thalia, as Usurpadoras, Malhação, muitos anjos caindo do céu, as Helenas do Maneco e os Pasquins nus nas praias latino-americanas. Quando resolvi fazer vestibular, a minha coordenadora numa palestra nos disse: - Esqueçam as telenovelas e as Marias Mercedes, do Bairro e do Mar que vemos todos os dias, elas não nos levam a nada, estudem e esqueçam a TV. Juro, juro mesmo que tentei fazer isso, entretanto, é impossível. Como negar algo que construímos e que nos constrói.

Por favor, peguem carona na calda deste meu cometa.. e vamos compartilhar nossas emoções. Porque melodrama é uma discussão de sentimentos.